Sabemos olhar!

18 de out de 2010

CADEIRA DE CRIANÇA

Como refém de si mesma, usando mordaça apertada, e unindo forças para livrar-se, a mordaça seria quebrada de dentro para fora, somente por um “sopro”.

Há um ano atrás, procurei um senhor de meia idade, educador, geólogo, protetor da Caatinga, de andar tranqüilo, de expressão séria, de boa escuta e ar paternal.
Tomamos um corredor em direção à biblioteca, andamos lado a lado no mesmo passo, aonde sentaremos? Apresenta-me duas cadeiras pequenas coloridas, e sem timidez ocupamos o acento, ele frente a mim, temos por apoio uma mesa de madeira azul pequena. Por um breve momento nos olhamos estáticos, como um exame.

Ao longe, ouvia-se gritos e vozes frenéticas, eram crianças desobedecendo aquele silêncio, o zunido do vento visitava-nos por uma janela sem cortinas, e num bater de porta era o único que introduzia o assunto, contrariando minha ansiedade.

Os meus olhos, denunciava obstante declaração de abatimento, a mordaça era percebível, suas primeiras palavras: - Você estar “judiada!"

Orgulhosamente cuidada pensei: SE EU TIVESSE PAI, ESSA SERIA A CENA VIVIDA.

A mordaça é retirada, não por força, nem por sopro, mas pelo molhar das lágrimas.

Diante dos fatos, nada poderia fazer, o mais seguro era permanecer no telhado, esperando a enchente passar, descer cuidadosamente para saber o que restara, deparei-me com a devastação.

Homem Bom, sim esse é o seu nome:

Obrigada sr. HomemBom, por ter recebido o meu filho Israel nos primeiros anos da sua vida escolar!

"E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la. Gênesis 20:6"

GRATIDÃO

Sua origem latim “gratia”, ficar grato significa ser agraciado, é uma atitude pródiga “retributiva” e altruísta, numa essência de crescimento ao outro. A gratidão fortalece todo e qualquer vínculo, no entanto, a debilitante ingratidão enfraquece vínculos.

Reconhecer os benefícios recebidos, com gestos simples em atenção, na memória é impresso o que o outro fez por nós, num dado momento crítico e necessário da vida.

Nesta reflexão, venho recordar a satisfação que alguém sentiu em receber de mim toda atenção, e demonstrei que minha atenção - ali aplicada - era por gratidão, recordei os fatos, localizando nossas vidas num passado, onde estivemos um dia "lado a lado".

Nossa conversa foi bem alicerçada, afirmei que - O Amor é o sentimento mais excelente que um homem imperfeito pode sentir, e é através desse sentir, que subjetivamos a Gratidão.

Essa capacidade de reconhecer um benefício - a gratidão fortalece vínculos eternos, há quem um dia esteve por dependente do servir e da espera do outro e doação.

A GRATIDÃO é uma dessas especiarias, entregues aos “reis” mais importantes que encontramos no caminho da desesperança, nas nações conflituosas que assolam copiosamente nossa alma.

Ser grato requer princípios, valores não colecionados e sem divisões, é simplesmente ser subordinado ao respeito, aguardando o momento da retribuição, e entregar a porção.

Os murmuradores não tem memória, e não justifica seu egoísmo, isentam-se da responsabilidade em repassar aquilo que foi dado graciosamente por Deus, esse é o pressuposto, existem algumas corrosões de caráter, possivelmente não tem nenhuma ligação para reconhecer os danos causados pela ingratidão.

Os males da ingratidão surgem como pretextos em desabafos, mas na verdade são atitudes lamentáveis, ou seja, passos largos para neutralizar uma ação melhor.

Precisamos dispor em demonstrar nossa gratidão, pelas pessoas que circulam nossas vidas em “gratitudine”.

Um dos sentimentos mais nobres, pois, ficamos de prontidão há quem um dia nos serviu com alegria, para fazer nossa parte no indispensável do outro, e reconhecer seu próprio bem estar, e compartilhar, assim como um dia abocanhamos nossa fatia.

Trazer à memória absolutamente o momento crítico e observar a importância do servir, é como vislumbrar uma espera, e viver atendendo o melhor na vida do OUTRO quando assim precisar, não como recompensas, barganhas ou dívidas a serem pagas, mas pelo prazer exorável em retribuir uma simples ação.

É viver na iminência de ser chamado, e se fazer participante em meio ao sofrimento alheio, não com palavras apenas, mas atitudes no conjunto da ação.

O exercício em nós - A GRATIDÃO - é imprescindível. Na falta dela nos tornamos vazios, sombrios, cinzentos e martelam nossas consciências egoístas e servidas, sem generosidade alguma, passamos a olhar o outro como um SER presente e não vivente.

Sermos gratos inebria os nossos sentimentos e restaura as mais complexas relações.


"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. (Salmos 100:4)
"

LAR


ANTES UM ÚNICO LEITOR

As chuvas levaram boa parte da história dos nossos irmãos pernambucanos, quando não, levaram suas vidas. Imagina ser pego de surpresa com tal devastação? Essas catástrofes são superiores a força do homem...

Na nossa "caminha quente" - zona de conforto, criamos problemas imaginários que competem com os problemas "reais" de tantos que sofrem.Ultimamente, estou mais sensível à questão do LAR, da CASA, e o quanto é importante, pois vem traduzir um pouco do que somos, ou queremos expressar, é como se a CASA fizesse parte de uma inspiração. É nela que guardamos os nossos segredos materiais, como retratinhos, bilhetes, fotos, cacarecos, plantinhas e o cheiro nosso.

Numa noite dessas, egoisticamente falei: - ESTOU COM SAUDADES DE TER MINHA CASA. Dei-me ao “luxo” de desarrumar a barraca, e não fui pega de surpresa, muito embora nos moldes de tragédia estejam bem longe do que aconteceu no litoral pernambucano.

Não gosto de doar coisas velhas, tranqueiras, tratar o “outro” como depósito de lixos, nem gosto de ter muitas coisas empilhadas, a começar por roupas e calçados...

Em meio as minhas coisas da antiga casa, coloquei tudo em caixas, serviu de inspiração para o meu irmão Milagro:

http://www.recantodasletras.uol.com.br/cronicas/2322811


Voltando ao assunto de LAR/CASA, nosso abrigo fala de nós materialmente.

Numa semana, passando por uma rua e vi um professor que ensina na Faculdade, ele estava colocando água numas plantas da calçada, não resisti, exclamei: - QUE CENA MAIS LINDA!!

Tal frase, fora à senha para conhecer o interior da “casa nova”, imediatamente eu e o Israel, fomos apreciar os lugares tão preparados com sua personalidade. Impressionante a decoração, na primeira sala tem uma placa denominada “Brigitte Bardot”, (gosta muito de viajar e já foi à França e conheceu Brigitte, foi ao Egito 2 vezes e tem uma estante com muitas peças das suas inúmeros viagens). Confiou sua privacidade, o Juracir Jussiê, além de professor é artista plástico, faz belos quadros com uma técnica especialmente desenvolvida. Mostrou-nos uma plaquinha azul da Brigitte e falou que ninguém tinha tocado, e confiou a mim o seu toque. Valorizo demais esses momentos, tenho respeito, e não economizo as expressões à valorização, fomos presenteados por um pacotinho de incensos indianos. Compreendi na sua fala que ele sentia o desejo de ter o seu lugar, para colocar seu atelier, os retratinhos, bilhetes, fotos, cacarecos, plantinhas, seu cheiro, sua vida na companhia da sua imaginária Brigitte Bardot.
E assim, despeço-me.
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