Sabemos olhar!

4 de mai de 2011

VOCÊ NÃO CONHECE A MALDADE


Em admiração ao meu “estilo” diplomata, modo seguro e bem ajustado; fui surpreendida:

- Keyla, você não conhece a maldade. (Cambiante idéia numa demasiada inocência, tal frase era receptiva como elogio de brandura; raro nos dias de hoje).

Cravei um olhar, sorriso serrado, ar misterioso no declínio tímido, mantendo a mansidão, e no comando o “silêncio” no cofre imerso as lembranças tempestivas.

Evadi-me timidamente sem respostas, nenhuma vaidade pelo elogio recebido, e assim... caminhando... caminhando... caminhando... “descanso numa pedra” (figurado).

É aqui que deságuo, com águas turvas...

Respondo:

Meu olhar sereno, inocente, manso, silencioso, tão-somente, conhece a MALDADE.

Conhecer não é seguir, nem aceitar como prédica.

Conheço a Maldade da gestação ao nascimento solitário, a esmo nas caatingas nordestinas;
Conheço a Maldade na negação dos seus direitos e seu sobrenome;
Conheço a Maldade em que vale mais o orgulho, do que assumir os erros;
Conheço a Maldade no perder dos cabelos e passar anos sem ver o reflexo da própria face;
Conheço a Maldade no descer dos carros, motivado por pessoas pelo cheiro forte das feridas insuportáveis;
Conheço a Maldade num banheiro de chão glacial, um grito abafado num corpo infante, pele lisa, cabelos longos, sonho de anjo;
Conheço a Maldade quando testemunha um pai agonizando...veias, órgãos e no puxar do gatilho o seu próprio irmão;
Conheço a Maldade quando procura uma parede para recostar e nas mãos sangue de uma vida que vai embora;
Conheço a Maldade de uma mãe que em desequilíbrio tenta o suicídio diante dos seus olhos;
Conheço a Maldade dos irmãos desprezando e competindo uns com os outros;
Conheço a Maldade atroz de um "amor" interesseiro, inventável no bem pessoal;
Conheço a Maldade da negligência no transito que leva vidas importantes e muda tantas outras;
Conheço a Maldade dos dias enevoados;
Conheço a Maldade dos conflitos familiares;
Conheço a Maldade do preconceito militante;
Conheço a Maldade de colegas profissionais;
Conheço a Maldade de acusações infames;
Conheço a Maldade da doença;
Conheço a Maldade da Ignorância;
Conheço a Maldade da individualidade;
Conheço a Maldade na sua tendência à prática ruim de uma “ilustre” iniqüidade;
Conheço a Maldade como sendo o enxofre pungente;
Conheço a Maldade no desenho mal desenhado;
Conheço a Maldade no repúdio pela mesma;

"A terra frutífera em estéril, pela maldade dos que nela habitam. Salmos 107:34"

Sim, conheço a perspicácia da malvadeza.

E repreendo a cilada maliciosa em minha vida!

Suscito o “CONHECIMENTO” que infinitamente não preciso regatear.

Afasto qualquer sentimento menor no córrego desprezível.

Assim, silenciosamente permaneço, agradeço os livramentos e consciência do que exponho.

Avante!

Conclusão:

Dando vazão a minha resposta:

“Conheço tanto a maldade que prefiro fazer-me inocente, negar a existência de tal, assim, opto esquecer como manejos defensivos”.
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