
Pouco é o gênero que me agrada, e músicas que debicam a emoção são pouquíssimas, seleção crítica a minha.
Na época do vinil, bradavam: Troca o disco, vira o disco! Vai furar o disco? (Nas repetidas execuções de uma determinada música).
Atualmente, só precisamos dá um clic no “Repetir” do WMediaPlayer e não ter receio em furar o disco, pois, mudou a forma das execuções mas não mudou o impulso por elas escolhidas.
Por um ano e alguns meses, especialmente essa música, foi configurada na minha chamada de telefone, hoje não mais; além de ser a escolhida nos meus momentos de “veludos”.
Aqui falaremos sobre essa Estrada Nova, não na interpretação intima e confidencial do autor, mas no que é inerente ao apreciador em resenhas, e quem sabe dará a resposta do porquê que ela é tão boa letra e melodia.
Estrada Nova - Oswaldo Montenegro
Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Quando estamos diante de uma novidade, um caminho à seguir, uma direção à escolher, numa madrugada longa, pessoas que não conhecemos, situações inesperadas, lugares sem acentos, um final que não decidimos e não podemos pedir auxílio.
Não saber o que fazer com a mão, lembra-me uma timidez que busca função para esconder toda tensão. E mesmo na satisfação do grito, não trará um resultado, nem atenção de ninguém.
Não saber o que fazer com a mão, lembra-me uma timidez que busca função para esconder toda tensão. E mesmo na satisfação do grito, não trará um resultado, nem atenção de ninguém.
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
Declarar ter medo dessas novidades, é querer ser um peixe no meio do mar, que exerce a sua melhor arte: Fugir, escapar, deslizar até que se sinta seguro novamente, e não somente o medo, mas toda dor passará.
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova - esta é a esperança, a dissipação de todo o medo, a clareza dos detalhes, a redundante força, a direção bem tomada, pessoas em quem confiamos, lugares confortáveis, e em meio a um final que não decidimos mas somos responsáveis por continuar construindo novos finais. E com ou sem adversidades o sol brilhará, indicando e aclarando os ocultos sentimentos.
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Por persistir, o medo nos trava, tirando nossa noção de vez e espaço, e precisa ser estancado esse medo, lançado fora, deixado distante de nós, e somos surpreendidos pelo futuro agarrando nossas mãos, nos lançando por dentro de uma máquina sem sabermos se estamos andando, ou se é a paisagem ao nosso redor. Essa máquina é a vida.
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Restando-me aceitar, que o conhecimento do medo nos faz prudentes e observadores, e aceitar ainda que nada é nosso, que uma estrada é para ser seguida e nela nos garante apreciar o por do sol no horizonte.

Sentimentos que vislumbro ao ouvir tal melodia.